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REINSERÇÃO SOCIAL

Redes Sociais

          Para entendermos o processo de Reinserção ou Reintegração Social é necessário que nos reportemos ao conceito de exclusão, que é o ato pelo qual alguém é privado ou excluído de determinadas funções.

          A exclusão social implica, pois, numa dinâmica de privação por falta de acesso aos sistemas sociais básicos, como família, moradia, trabalho formal ou informal, saúde, dentre outros. Não é outro senão, o processo que se impõe à vida do indivíduo que estabelece uma relação de risco com algum tipo de droga, cuja fronteira para a exclusão é delimitada pelo início dos problemas sociais.

          A reinserção assume o caráter de reconstrução das perdas e seu objetivo é a capacitação da pessoa para exercer em plenitude o seu direito à cidadania. O exercício da cidadania para o paciente em recuperação significa o estabelecimento ou resgate de uma rede social inexistente ou comprometida pelo período de abuso da droga. Neste cenário, ajudar o paciente a entrar em abstinência deixa de ser o objetivo maior do tratamento. Assim como as técnicas de prevenção à recaída representaram nos últimos anos grandes avanços no tratamento do paciente, a sua reinserção social torna-se, neste milênio, o grande desafio para o profissional que se dedica à área das dependências químicas.

          O processo de reinserção começa com a avaliação social, momento em que o profissional mapeia a vida do paciente em aspectos significativos que darão suporte ao seu novo projeto de vida,desenhado a partir das suas características pessoais e da etapa do tratamento em que se encontra. No processo de aprender a lidar com a sua relação com a droga, via tratamento (independente da sua modalidade), o paciente é exposto às demandas do mundo externo com todas as suas contradições. Sentimentos de rejeição, insegurança, culpa, incapacidade, dentre outros, vão colocá-lo em freqüentes situações de risco.

          Por isso, já no primeiro contato, o profissional deverá assumir uma postura de acolhimento do paciente, no qual a atitude solidária e a crença na capacidade de o mesmo construir e/ou restabelecer sua rede social irão determinar o estabelecimento de um vínculo positivo entre ambos. É uma parceria onde a porta para a ajuda estará sempre aberta, desde que, o trânsito seja de mão dupla. Assim, o profissional e o paciente devem entender a reinserção social como um processo longo e gradativo que implica, inicialmente, na superação dos próprios preconceitos, nem sempre explícitos.

          Os assuntos individuais e sociais de maior relevância no contexto do paciente devem ser discutidos abertamente com o objetivo de estimular uma consciência social e humana mais participativa. É nestas discussões que se percebe a energia vital manifestada, quase milagrosamente, naquele paciente que havia feito da condição de excluído, o instrumento privilegiado de suas relações sociais, resgatando a sua auto-estima.

1. Projeto de vida

          O Projeto de Vida deve considerar fundamentalmente as expectativas do paciente e as suas possibilidades reais, enfatizando suas escolhas pessoais, responsabilidade pelas decisões e comportamentos futuros. Deve ser personalizado e respeitar a etapa do tratamento em que ele se encontra, lembrando que uma ou mais revisões poderão ocorrer dependendo da evolução do processo terapêutico e das condições sociais.

1.1. Premissas do Projeto de Vida

          ►Continuidade do Tratamento: O paciente deve estar convencido de que seu tratamento não termina com a alta hospitalar ou a saída da Comunidade Terapêutica. A continuidade do tratamento (qualquer que seja) é um espaço para a obtenção de suporte ao manejo das situações de risco;
          ►Mudança do Estilo de Vida: A disponibilidade e a motivação do paciente para a mudança do seu estilo de vida que envolve sobretudo reformulação de hábitos e valores adquiridos no período de ingestão das drogas. O ingresso em grupo de mútua ajuda e/ou grupo de apoio no local de trabalho são de grande valia e podem funcionar como fatores de proteção.
          ►Metas Atingíveis: O estabelecimento das metas do projeto deverá ser feito após uma leitura realista e objetiva das questões trazidas à discussão. É prudente iniciar com metas modestas cujo alcance irá fortalecer a auto-estima do paciente e a crença na sua capacidade de construção de uma nova realidade, onde cada passo deve ser valorizado e cada tropeço analisado cuidadosamente;
          ►Estabelecimento e/ou Resgate de Rede Social: O período de abuso das drogas expõe o paciente a rupturas progressivas com a família, os amigos, o trabalho, a escola e a comunidade. É preciso resgatar e/ou estabelecer novas redes de socialização. O profissional e o paciente devem investir conjuntamente na busca e na valorização de elementos que possam compor a rede de apoio para o processo de reinserção. Estes elementos podem ser: pessoas, instituições públicas ou privadas, e outras organizações sociais, que possam oferecer apoio nas situações de risco.

1.2. Desenho do Projeto de Vida

          A elaboração do Projeto de Vida implica no estabelecimento de ações contínuas que interligam de forma harmônica os aspectos necessários ao estabelecimento ou resgate da rede social do paciente.

          Para um melhor entendimento, demonstramos abaixo, em forma de diagrama esta inter-relação:



          Não existe um setor da vida do paciente que é mais ou menos importante. O que ocorre é que em determinado momento algum aspecto pode estar precisando de uma atenção ou ação mais específica, daí a idéia da inter-relação harmônica.

1.2.1. Aspectos Familiares

          A família é um lugar privilegiado para que o indivíduo aprenda a se relacionar com o mundo. Este aprendizado, mesmo comprometido pelo uso da droga, se impõe ao paciente como referencial de comportamento e atitude diante da vida.

          Em geral, a família do dependente é uma família em crise cuja resolução vai depender da disponibilidade de seus componentes para aceitar um processo de mudança. Tal como o paciente, a família pode aprender novas maneiras de viver, abandonando comportamentos negativos e assumindo comportamentos positivos em relação ao paciente. Em geral, este processo de mudança na família e na sua relação com o paciente exige uma atenção especializada.

          No quadro abaixo, apresentamos diferenças sistemáticas de alguns comportamentos da família em relação ao paciente:

Comportamentos negativos Comportamentos positivos
Vigilância: perseguir para vigiar o paciente. Reconhecimento: valorizar pequenas conquistas.
Agravamento: dramatizar situações de risco, lapsos e recaídas vividos pelo paciente. Disponibilidade: mostrar-se solidário e comprometido com o processo de recuperação.
Culpa: reprovar e recriminar as atitudes e iniciativas do paciente. Diálogo: ouvir, discutir e refletir em conjunto com o paciente.
Indiferença: fingir que não dá importância ao problema. Acolhimento: demonstrar afeto e compreensão pelo paciente e pela sua situação.
Vitimização: fazer de si próprio uma vítima do paciente ou do seu problema. Consciência da inexistência de soluções mágicas: a recuperação é um processo longo e gradativo.
Passividade: submeter-se a chantagens ou ameaças do paciente. Limites: impor um mínimo de regras ou disciplina.


          A adoção de uma postura positiva pela família favorece o restabelecimento de uma relação de confiança com o paciente, possibilitando-lhe a retomada dos papéis familiares, fortalecendo a auto-estima e incentivando-o a lançar-se em novos desafios.

          A participação conjunta do paciente e familiares em grupos de auto-ajuda ou associações e projetos comunitários deve ser considerada como ferramenta de reinserção no ambiente familiar. Na ausência de familiares, deve-se buscar uma figura de referência para o paciente, com quem ele possa estabelecer ou retomar um relacionamento afetivo.Esta figura pode estar representada por um colega de trabalho, um chefe, um vizinho ou um amigo.

1.2.2. Aspectos Profissionais

          Culturalmente, o “valor” de uma pessoa ou a sua dignidade estão diretamente ligados à sua capacidade de produção. Desenvolver uma atividade formal ou informal é para o dependente químico, quase tão importante quanto à manutenção da abstinência.

          A discriminação quanto à capacidade do paciente estar apto ao trabalho faz com que ele experimente sentimentos ambivalentes de fracasso e de sucesso. Numa situação como a atual, na qual os índices de desemprego são altos, é importante considerar que a dificuldade de inserção no mercado de trabalho não depende apenas da aptidão ou do esforço dos indivíduos.

          Se ele exerce atividade formal, deve se valer de todos os recursos disponíveis na empresa. Os serviços de Recursos Humanos e Saúde Ocupacional podem ser contatados pelo profissional, pela família ou pelo próprio paciente.

          A revisão de função ou de atividades desenvolvidas pelo paciente poderá ser necessária ou sugerida pela empresa. Neste caso, o paciente deverá ser preparado para entender a nova realidade, onde a percepção sobre os riscos da função é utilizada na ponderação das razões para a determinação da mudança. Esta mudança deve ser vista, pelo paciente, como um passo adiante na manutenção de sua abstinência e na renovação do seu compromisso com a retomada da condição perdida.

          Esta alteração na condição do paciente deve considerar que:

          ►Ele deve ser fortemente estimulado à participação em grupo de apoio na empresa e ao resgate dos amigos, “trocados” pela “turma do bar ou do barato”;
          ►A indicação de voltar aos estudos ou freqüentar cursos profissionalizantes e de aprimoramento também favorece a sua reinserção e melhora a empregabilidade, especialmente num contexto de desemprego.

          Para pacientes desempregados e/ou desprovidos de qualificação profissional, uma acurada avaliação de potencialidades, escolaridade e habilidades, se faz necessária. Aliada às expectativas do paciente a avaliação vai permitir um “retrato” da sua condição e o traçado de metas atingíveis, observando que:

          ►Trabalhos temporários e informais, assim como a baixa remuneração, não devem ser vistos como fracasso, mas como uma conquista ou uma etapa a ser valorizada;
          ►A inclusão do paciente em programas sociais de apoio poderá ser a porta de acesso a outros benefícios, como melhoria da escolaridade e da qualificação profissional e o desenvolvimento da auto-estima;
          ►Programas de voluntariado também são recomendados como forma de socialização e exercício da solidariedade e da cidadania.

1.2.3. Aspectos Econômicos e Financeiros

          É implícito que durante os anos de abuso de drogas (lícitas ou ilícitas) haja perdas financeiras. Portanto, seria simplista pensar que a reinserção social do paciente não implique numa recuperação dessas perdas. O primeiro ponto neste aspecto é não lamentar o que foi perdido. É preciso levantar criteriosamente a condição do momento. Listar as dívidas e definir uma programação para saldá-las ou, ao menos, renegociá-las alivia a ansiedade do paciente e o coloca diante da responsabilidade de planejar o futuro. O uso e o destino a serem dados ao dinheiro devem orientar-se por uma escala de prioridades compatíveis com o atendimento de necessidades essenciais e o volume do recurso.

          Em todo o processo de recuperação econômico-financeira, a família deverá participar conjunta e ativamente e um aconselhamento especializado de um profissional da área financeira poderá beneficiar e tornar o assunto mais "leve".

1.2.4. Aspectos Comunitários

          Em qualquer fase do desenvolvimento do ser humano, o reconhecimento social e a influência dos grupos a que pertence são fundamentais para a manutenção do sentimento de inclusão e de valorização pessoal.

          No período de abuso da droga o paciente sofre uma gradativa deterioração pessoal com o empobrecimento dos relacionamentos sociais. Sentimentos de rejeição, autodepreciação, insegurança, dentre outros, o afastam do convívio social. A perda do emprego, da família ou problemas com a polícia e a justiça o colocam num impasse. Com o processo de tratamento, e a abstinência, o paciente se vê diante do desafio de resgatar os relacionamentos destruídos. A participação na comunidade oferece a oportunidade de ele reescrever a própria história, a começar com a reparação de possíveis danos causados a si próprio ou a outrem. A busca de ajuda para prováveis problemas judiciais e a reaproximação de antigos amigos pode impulsioná-lo a retomar o gosto pelo lazer, pelas atividades culturais e associativas desprezadas até então.

1.2.5. Aspectos Espirituais

          Independente da formação ou orientação religiosa é importante que o paciente recupere e mantenha a crença na sua própria capacidade de realização. Neste sentido, a “fé” poderá ajudá-lo a enxergar um horizonte de possibilidades onde sonhos se transformam no projeto de uma nova vida.

1.2.6. Aspectos Médicos e Psicológicos

          Mesmo estando claro que o processo de reinserção social deve ocorrer simultâneo ao tratamento, é importante reforçar a necessidade dos cuidados com a saúde física e psicológica do paciente. O acompanhamento sistemático, considerando as características individuais do paciente, lhe dará suporte na remoção de barreiras para a recuperação e reinserção social.

2. Observações importantes:

          1. A reinserção social do dependente de drogas deve ser pensada, planejada e orientada por toda a equipe. A interdisciplinaridade alarga o horizonte de possibilidades e permite ao paciente leituras específicas para cada nova situação que se apresente. Portanto, vale lembrar que o paciente "não tem dono";

          2. O conhecimento dos recursos da comunidade é o maior aliado do profissional. A identificação, a análise e a eleição do recurso adequado aumentam as chances do paciente ter acesso e se beneficiar do melhor recurso. Quando nos referimos a recurso estamos falando de uma rede composta por instituições públicas e privadas, além daquelas que compõem o 3º setor, hoje desempenhando importante função de responsabilidade social através de ONGs, pioneiras na reinserção. Conhecer pessoalmente os recursos para os quais vai encaminhar o paciente pode ser o 1º passo para o estabelecimento de uma produtiva parceria entre a instituição de tratamento e o recurso comunitário;

          3. A disponibilidade do profissional para aceitar os "tropeços" no processo. Avaliar claramente os próprios sentimentos e expectativas irá ajudá-lo a compreender e a lidar com a possível necessidade de revisão e redirecionamento de ações.

Fonte: SENAD(Secretaria Nacional Antidrogas)/
OBID (Observatório Brasileiro de
Informações sobre Drogas)

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